Sou uma jornalista e visitante da cidade de Salvador,
entretanto estou muito decepcionada, pois fui à praia mais recomendada, a da
Barra, e notei a quantidade de lixo presente nela.
Para minha surpresa, não foi somente nas praias que
encontrei lixos, mas também em toda cidade. Um local tão bonito, mas
desvalorizado pela própria população. Rios transformados em esgotos, bueiros
entupidos de detritos. Até que ponto a culpa das enchentes é do governo?
Novamente, quanto ao tocante às praias, uma tartaruga não
sabe a diferença entre um saco plástico e uma alga, por isso deve-se ter
cuidado à quantidade de latas diversas, restos de comidas jogados nas águas
-que por sinal também servem de receptor final dos esgotos-, dentre outros
dejetos.
Destacando a data de comemoração da festa de Iemanjá, por
conta das oferendas muitos produtos que se decompõem num grande período de
tempo acabam se depositando no mar, causando problemas como a disposição destes
à contaminação, o que causa um desequilíbrio nas relações dentro do ecossistema
aquático. Uma alternativa para amenizar estes efeitos seria a utilização de
materiais biodegradáveis.
Com certeza a contribuição de todos terá um impacto positivo
maior na neutralização destes hábitos. Apesar de tudo, me apaixonei por cada
esquina dessa bela cidade, e sei que cada soteropolitano possui sua
identificação com ela.
Atenciosamente,
Louise
Clack
A Secretaria Cidade Sustentável - SECIS, criada pela Lei n.º 8.376, de20 de dezembro de 2012, com regimento aprovado pelo Decreto Municipal n° 23.862 de04 de abril de 2013,
na administração do Prefeito ACM Neto, surge com uma proposta
inovadora, que acompanha os principais debates públicos a cerca das
mudanças sociais necessárias para uma melhor qualidade de vida.
Nossas
ações vão muito além do cuidado com o meio ambiente. O conceito de
CIDADE SUSTENTÁVEL reconhece que a cidade precisa atender aos objetivos
SOCIAIS, AMBIENTAIS, POLÍTICOS e CULTURAIS, bem como aos objetivos
econômicos e físicos de seus cidadãos.
Seguindo
estes preceitos, a Secretaria Cidade Sustentável – SECIS tem como
missão “Ser o principal instrumento de concepção, execução e promoção
das políticas de desenvolvimento sustentável do município de Salvador,
de forma COOPERATIVA e DINÂMICA, rumo a um melhor padrão de qualidade de
vida para os soteropolitanos”.
Somos
a primeira secretaria no país que atua com este foco, e esperamos
conseguir, com o apoio da população de Salvador, ser exemplo de
contemporaneidade, proporcionando o desenvolvimento sustentável, pensado
na qualidade de vida das pessoas.
Feita de concreto polido, a Pia batizada de Jardim Zen possui um canal que aproveita a água utilizada na lavagem das mãos para molhar uma planta. Criado pelo jovem designer Jean-Michel Montreal Gauvreau, a pia vem em bacia dupla ou modelo simples. Se você está preocupado eu ensaboar toda a sua plantinha, relaxe. Uma peça no início do canal drena o liquido e só deixa água sem sabão escorrer até a planta. Isso ajuda muito evitarmos o desperdício de água, uma vez quando seria regada por água que poderia ser ultilizada para outras coisas.
Além da vegetação, o ponto de ônibus conta com uma biblioteca do projeto Livros Livres, que incentiva a troca gratuita de livros, e um paraciclo Foto: Divulgação
O primeiro ponto de ônibus ecológico de Salvador foi inaugurado na segunda-feira, 25 de janeiro, na rua Arthur Azevedo Machado, no bairro Stiep. Idealizado pela Secretaria Municipal Cidade Sustentável (Secis), o abrigo foi repaginado com a implantação de grama, plantas ornamentais e flores da espécie Alamanda, também conhecida como Dedal-de-Dama. Segundo um estudo da Universidade de São Paulo (USP) a temperatura no topo dos edifícios com jardim suspensos, como o do Ponto Verde ficou, pode diminuir em até 5,3°C. O modelo ainda pode levar a um ganho de 15,7% em relação à umidade relativa do ar, assim como atrair pássaros, borboletas e outras espécies. “Temos planos de fazer o mesmo em outros locais, mas ainda não tem meta estipulada. Esse vai ser referência, ponto de partida”, afirmou ao Correio o secretário de Cidade Sustentável, André Fraga. O ponto do Stiep foi escolhido como pioneiro porque é um modelo clássico de salvador, projetado pelo arquiteto João da Gama Filgueiras, o Lelé, e não contava com área verde próxima. Além da vegetação, o ponto de ônibus conta com uma biblioteca do projeto Livros Livres, que incentiva a troca gratuita de livros, e um paraciclo. A prefeitura também tem planos de instalar o modelo verde de remodelação em postos da Polícia Militar e sedes de repartições públicas.
O site EcoD (eco desenvolvimento), é um site com o objetivo de informar, ensinar, e transgredir conhecimentos de sustentabilidade em todas as formas, em construções, em pequenas ideias, em movimentos sociais, e muito mais. Assim, para passar mais ideias sustentáveis para nossa cidade Salvador e também na sua casa, separamos algumas ideias encontradas no EcoD:
Instale um arejador nos seus chuveiros e pias
Os arejadores garantem economia de água e o fim dos respingos/Foto:TreeHugger
Esse
pequeno instrumento introduz bolhas de ar no jato d’água, reduzindo a
tensão superficial da água durante a vazão da torneira e diminuindo os
respingos e o desperdício de água. A economia de água pode
chegar a 50% e a eficiência do chuveiro e pia continua a mesma. Os
arejadores podem ser facilmente encontrados em casa de construção e
custam cerca de R$5,00. Fonte: http://www.ecodesenvolvimento.org/dicas-e-guias/dicas/2012/janeiro/instale-um-arejador-nos-seus-chuveiros-e-pias-1
Instale torneiras automáticas
Se
você puder, instale torneiras automáticas em suas casas, condomínio ou
escritório. Esses modelos de torneira possuem um tempo de abertura
automático e fecham depois disso, impedindo que a água corra sem
necessidade. Se possível, opte por modelos com sensores
automáticos. Apesar de mais caros, esses aparelhos podem proporcionar
uma economia de até 70% no consumo de água. Fonte: http://www.ecodesenvolvimento.org/dicas-e-guias/dicas/2012/janeiro/instale-torneiras-automaticas
Use plantas para diminuir a poluição dentro da sua casa
Algumas plantas, como a gérbera, podem ajudar a reduzir a poluição dentro de casa/Foto: plus45
Quando
se fala em plantas que absorvem gás carbônico, logo pensamos em árvores
frondosas, geralmente raras nos grandes centros urbanos. Porém, é
possível melhorar a qualidade do ar de casa cultivando plantas pequenas.
Além de minimizar o efeito da fumaça de cigarros, escapamentos e outros
tóxicos exalados por tintas, gasolina e produtos de limpeza, elas ainda
deixarão sua casa mais bonita e você em maior contato com a natureza. Conheça algumas dessas espécies: Babosa (Aloe vera): Absorve
o formaldeído. Mantenha-a na sombra e espere a superfície do solo secar
antes da próxima rega. Propaga-se a partir de rebentos que nascem na
base da planta-mãe. Clorófito (Chlorophytum):
Absorve o monóxido de carbono. Por isso, mantenha-o próximo a uma
janela, já que gosta de luz solar direta, e conserve o solo sempre
úmido. O clorófito produz pequenas mudas, que devem ser reenvasadas. Crisântemo (Chrysanthemu morifolium): Absorve
o benzeno. A reprodução pode ser feita tanto por divisão de touceiras
quanto por sementes. Regue-o com freqüência, mas sem encharcar o solo.
Conserve o vaso próximo a uma janela. Espada-de-São-Jorge (Sansevieria):
Absorve o formaldeído. É típica planta de interior, pois sobrevive em
ambientes com pouca sombra e pouca rega. A propagação é por estacas de
folhas. Filiodendro (Philodendron oxycardyun):
Absorve benzeno e monóxido de carbono. Regue-o sempre antes de a terra
secar completamente e deixe-o à meia sombra. Gosta também de vasos só
com água. Propaga-se por estacas de galho. Gérbera (Gerbera jamensonii): Absorve benzeno. Dentro de casa só permite a utilização como flor de corte e pode durar até 15 dias. Jibóia (Scindapsus piclus argymeus):Absorve o formaldeído. Cultive-a na água ou na terra. Lírio-amarelo (Hemerocallis flava):Absorve
o monóxido de carbono. Como necessita de bastante luz, o ideal é
cultivá-lo numa jardineira ou próximo à janela. Mantenha o vaso sempre
úmido. Propaga-se por divisão de touceiras. E se você tiver
espaço em seu jardim, não deixe de plantar uma árvore. Um estudo da
Universidade de São Paulo indica que algumas espécies absorvem mais CO2 da atmosfera, como Feijão-do-mato, Guapuruvu, Pau-jacaré, Jacarandá-da-bahia e Jatobá. *Com informações da Revista Casa Claudia. Fonte: http://www.ecodesenvolvimento.org/dicas-e-guias/dicas/2012/janeiro/use-plantas-para-diminuir-a-poluicao-dentro-da-sua
Secretaria Cidade Sustentável (Secis) e a Escola de Mergulho Galeão Sacramento fazem campanha para não poluir o mar durante a Festa de Iemanjá
Com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância de se preservar as praias e, ao mesmo tempo, motivar a entrega de presentes biodegradáveis durante a festa da Rainha do Mar, Iemanjá, a Secretaria Cidade Sustentável (Secis) lançou a campanha Balaio Verde. Faixas e banners com frases incentivando a prática da entrega de oferendas orgânicas e biodegradáveis estão distribuídos em pontos onde acontecem os festejos.
Além disso, no Rio Vermelho, uma equipe da Secis atuou na praia instruindo quem escolheu por entregar presentes que causam impactos ao meio ambiente.
A campanha Balaio Verde realizada pelas redes sociais da pasta durante os dias que antecederam as homenagens à orixá oferece dicas simples de oferendas biodegradáveis para um balaio mais sustentável, sem deixar de lado o incentivo pela tradição. Entre elas: ofereça flores 100% naturais; em vez de jogar o frasco perfume o balaio; escolha pentes de madeira; use fitas e adereços de fibra natural; e prefira as bonecas de pano.
"A ideia da campanha nasceu da necessidade de reduzir a quantidade de lixo encontrado no Rio Vermelho. E essa data é um bom momento para refletir sobre o papel de cada um na sociedade, e entender que a mudança de comportamento é fundamental para manter a natureza saudável", detalha Fernanda.
Mesmo com a campanha balaio verde, integrantes do Projeto Fundo Limpo e daEscola de Mergulho Galeão Sacramento retiraram 150 kg de lixo do mar após um dia da festa, uma grande quantidade de plástico e vidro foram encontrados. Além das oferendas, foram recolhidos resíduos como latinhas e embalagens de comida na areia da praia. A ação foi tão bem-sucedida que já está no calendário da escola para ser feita novamente em 2017. Fontes: http://www.saltur.salvador.ba.gov.br/index.php/noticias/40-tudo-pronto-para-a-festa-de-iemanja-no-novo-rio-vermelho http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1656066-material-biodegradavel-e-aposta-de-oferenda-para-iemanja http://www.correio24horas.com.br/single-carnaval/noticia/nem-tudo-sao-flores-mergulhadores-retiram-150-kg-de-lixo-do-mar-apos-festa-de-iemaja/?cHash=606f16c9251b97621907d0b4abdf9b5e http://noticias.band.uol.com.br/cidades/bahia/noticia/100000734511/uma-tonelada-de-lixo-e-retirada-das-praias-apos-festa-de-iemanja.html
As garrafas pet tem milhares de utilidades possíveis antes de serem descartadas nos lixos, uma delas é o jardim vertical.
A ideia cai bem como solução para o reaproveitamento de resíduos, que deixam de ser descartados no meio ambiente. Ao mesmo tempo, atende as residências carentes de áreas espaçosas para jardins.
São necessários os seguintes materiais:
Garrafas PET de dois litros (vazias e limpas);
Tesoura;
Corda de varal;
Cordoalha, barbante ou arame;
Arruelas (somente para quem optar por cordoalhas ou arames);
1. Corte as garrafas da mesma forma, criando uma janelinha para as plantas crescerem. A distância entre a base da garrafa (o fundo) e a abertura pode ser de 3cm. O comprimento da janelinha pode ser de um palmo.
2. Faça dois furos perto das janelinhas de abertura, nas partes inferior e superior. As cordas que prendem as garrafas passarão pelos furos. Essa será a estrutura do seu jardim vertical, por isso é importante utilizar as mesmas medidas para garantir a perfeita simetria.
Uma dica: para furar as garrafas, você pode utilizar um prego quente. Mas lembre-se de segurar o prego com um alicate para evitar acidentes.
3. Fure o fundo das garrafas para garantir o escoamento da água.
4. Passe a corda pelo furo superior e puxe-a pelo furo da base. Assim as garrafas ficarão presas. Se você utilizar corda ou barbante, basta dar um nó na parte de baixo, bem na altura onde a garrafa deve ficar. Caso esteja utilizando arames, coloque as arruelas logo abaixo das garrafas para que elas não escorreguem. Se tiver dúvidas, tá bem explicadinho nas fotos aí em baixo! :)
O que é: O IPTU Verde é uma iniciativa da Prefeitura de Salvador para incentivar empreendimentos imobiliários residenciais, comerciais, mistos ou institucionais a realizarem e contemplarem ações e práticas de sustentabilidade em suas construções. Para isso, oferece descontos diretamente no IPTU, de acordo com suas realizações a sua pontuação no Programa de Certificação Sustentável.
Como participar: É simples e fácil. Para obter a certificação IPTU Verde basta observar as iniciativas constantes no Anexo I do Decreto 25.899\2015 e integrar o máximo em seu projeto de construção ou reforma. Ao dar entrada no pedido de Alvará na SUCOM, Secretaria Municipal de Urbanismo, anexe o formulário (linkar) elencando cada uma das iniciativas e sua respectiva pontuação. No pedido de Habite-se a SUCOM fiscalizará a entrega e emitirá junto com a Secretaria Cidade Sustentável o Certificado que dará direito ao desconto no IPTU.
A cidade de Salvador tem feitos várias iniciativas sustentáveis após a criação da Secretaria Cidade Sustentável. O famoso Carnaval de Salvador não poderia ficar de fora!
Considerado uma das maiores manifestações culturais do mundo, o Carnaval de Salvador recebe milhões de pessoas nos circuitos da festa, que além de muita música e paquera, gera impactos para a cidade. Para minimizar esses efeitos, a Secretaria da Cidade Sustentável (Secis) lançou em 2014 a campanha “Eu Promovo o Carnaval Sustentável”.
A iniciativa, de adesão voluntária, foi apresentada aos empresários que participam do Carnaval de Salvador, e consiste na execução de pelo menos quatro ações sustentáveis em seus blocos, trios e camarotes, tais como: utilização de materiais recicláveis, promoção da coleta seletiva, uso de fontes renováveis de energia e garantia de boas condições de trabalho aos funcionários, por exemplo. Cada participante recebe um selo que comprova sua atuação em prol de um carnaval mais sustentável para Salvador – haverá fiscalização da Secretaria durante a folia.
O Carnaval Sustentável 2016 de Salvador já tem padrinho. Na 3ª edição da campanha “Eu Promovo Carnaval Sustentável”– foi escolhido o cantor Levi Lima, da banda Jammil. A escolha pelo artista não foi à toa. Além do seu interesse pelas questões ambientais como cidadão que ama Salvador, projetos sociais e de conscientização para preservação do meio ambiente junto a comunidades da Cidade Baixa lhe credenciaram para merecer o título.
Já passaram pela campanha os cantores Durval Lélis, no primeiro ano, e Saulo, em 2015. Esse ano, Levi vem para dar a sua contribuição. “Este convite é mais importante para mim como cidadão do que como artista. Me sinto lisonjeado”, disse Levi, que junto com a banda Jammil realizou no ano passado diversas ações voltadas para conscientizar banhistas e moradores de regiões da Cidade Baixa sobre a importância da preservação das praias e de combate ao uso indiscriminado da pesca com bombas.
Para o cantor, a participação de artistas, blocos e camarotes nessa campanha ajuda a sensibilizar um número maior de foliões nas ruas. “Com essa grande massa presente durante a festa, é muito importante existirem mobilizações e iniciativas para levar informações ao público; de criar uma consciência coletiva e provocar um engajamento maior das pessoas a cada ano”.
Levi, que é pernambucano mas desde os dois anos mora em Salvador, tem a capital baiana como a sua casa. Ele acredita que a prática adotada pelos soteropolitanos no sentido de preservar o meio ambiente pode servir de exemplo para quem vem de outras cidades. “Descartar os resíduos em lixeiras e urinar nos banheiros químicos disponibilizados pela prefeitura, são algumas das atitudes dos foliões soteropolitanos que podem fazer diferença pra quem visita nossa cidade. Usufrua mas preserve”, conclui o artista.
Contêineres de lixo subterrâneos com coleta seletiva
Texto retirado do site: http://www.vereadorpaulocamara.com.br/conteineres-subterraneos-em-salvador/
Foto: Evandro Veiga
Contêineres subterrâneos de lixo prometem ser a solução para manter a coleta de resíduos sólidos sem expor a população ao mau cheiro e ao acúmulo de lixo nas ruas e calçadas. A iniciativa chega a Salvador e consiste em instalar embaixo dos passeios grandes depósitos de lixo, cuja entrada, por onde as pessoas jogarão os dejetos, será uma lixeira comum na calçada.
Funcionamento
O funcionamento dos contêineres é relativamente simples. A pessoa joga o lixo normalmente na lixeira e esta canalizará os resíduos para os recipientes no subsolo. A novidade está mesmo no processo da coleta. Os garis utilizarão um controle remoto que fará com que a “tampa” do vasilhame, que fará parte da calçada, se abra e o caminhão, equipado com uma grua, carregará o vasilhame recolhendo todo o conteúdo. A caixa será colocada no lugar logo após o procedimento.
Marcos
Os recipientes de coleta que ficarão visíveis são chamados de marcos. Contêineres com dois marcos conseguem armazenar 1,6 toneladas de dejetos, já os com três, comportam 3 toneladas. Ao chegar a 80% da capacidade, um dispositivo instalado nas caixas envia um sinal para a empresa e o caminhão de lixo irá fazer a coleta. A previsão é que os primeiros recipientes sejam instalados até o final de agosto, na Barra. Até setembro, chegarão no Mercado Modelo e, sucessivamente, serão implantados em toda a cidade.
Coleta seletiva
Os contêineres, que serão importados de Portugal, também permitem a coleta seletiva, já que serão separados em lixo úmido e lixo seco. A nova proposta demandará um alto investimento da administração municipal, já que uma caixa com dois marcos custa cerca de R$80 mil e a com três R$ 120 mil, em média. O modelo de coleta, que já é utilizado na Europa desde o final da década de 1990, além de ajudar na sustentabilidade evitará o acúmulo de lixo nas calçadas de Salvador e o consequente aparecimento de animais e insetos, acabando com o desconforto decorrente dessa situação.
Me pergunto se o custo-beneficio valeria de fato o investimento, afinal, antes de se pensar nos benefícios, deve-se cautelosamente analisar a conjuntura que permeia a aplicação de tal sistema em toda a cidade, ou em boa parte da mesma. Sabemos que os cidadãos baianos são pessoas civilizadas e éticas. Porém, nem todos em uma sociedade, se comportam conforme os padrões impostos pela mesma. Um investimento tão alto como o dessas lixeiras (um contêiner com três caixas R$ 120 mil, o contêiner de dois marcos custa R$ 80 mil, e em média, o valor dos conteiners normais com capacidade de até 300 quilos, é de R$ 2 mil.) está sujeito a vandalismos ou a furto. Ao meu ver, antes de se aplicar tal sistema de coleta de lixo, deve-se antes analisar o modelo tradicional, que em nossa cidade é ineficiente.
Avenida Paralela - Luiz Viana Filho, construída na década de 70 é hoje símbolo do avanço e da destruição. Imagem: Encontrada no Blog Salvador Tour.
Texto: Rafael Dantas.
História UFBA.
Étriste, vergonhoso, absurdo ver, como uma região ainda com tantos “restos de verde”, de matas frondosas - na verdade uma mata atlântica que sucumbe diante o estrondoso crescimento imobiliário em toda a cidade. Sofrer com os abusos que estão acontecendo. Essa é a Avenida Paralela, Salvador Bahia.
Fatalmente parece que só no futuro é que nos arrependemos dos erros cometidos no passado - isso quando nos arrependemos. Mas nesse caso o meio ambiente nos obriga a repensar todos os nossos atos. Perante todos os problemas ambientais que acontecem no planeta e as mais diversas evidências de um dia após amanhã nada bom, absurdos como os que acontecem na Avenida Paralela, e em outros lugares do Brasil, só mostram como vulneráveis estamos perante os interesses e a má administração pública. A cada dia o que sobrou de mata atlântica na Avenida vai embora sem dar adeus, pois o barulho das máquinas silenciam o "grito" de socorro da vida existente no lugar.
Desde o início, assim como qualquer construção de grande porte, muito do verde foi a baixo. E com o passar dos anos tal realidade ficaria cada vez mais presente ou mesmo insustentável.
História da Avenida Paralela
Antonio Carlos Magalhães governador em 1972. Imagem: Jornal Folha de São Paulo.
Seria nas mãos do Governador Antonio Carlos Magalhães - primeiro governo 1971-1975 - e uma grande equipe de jovens secretários e técnicos, que os ousados planos do engenheiro e geógrafoMário Leal Ferreira - apresentados na década de 1940 - transformariam a Cidade do Salvador. Décadas antes algumas obras já tinham sido realizadas utilizando os planos de Leal Ferreira, a exemplo da Avenida Centenário no GovernoOtávio Mangabeira.
A Avenida Paralela inovaria o estafado solo de Salvador e ousaria com seu grado projeto. Imaginem o susto da população soteropolitana ao saber da notícia que o Centro Administrativo da Bahia (CAB)projeto do arquiteto João da Gama Filgueiras Lima -o Lelé,ficaria no ‘meio do mato’. Mais uma palavra estaria naquele momento associada pelo menos temporariamente ao gestor: “ele está louco¹”. E foi isso mesmo que aconteceu, ACM ousou ao levar tal projeto e seguir com a construção da Avenida Luiz Viana Filho (Paralela) e junto com o seu secretário de planejamento Mário Kertézs, trazer o então urbanista Lúcio Costa, o mesmo que tivera projetado Brasília, para Salvador. Sobre o CAB Kertézs escreve, "Não necessariamente uma nova cidade, mas uma influência polarizadora, que orientará a expansão urbana em escala metropolitana, daí devendo resultar o zoneamento residencial, comercial e industrial e a preservação de extensas áreas verdes."²
A década de 70 traçaria novos “caminhos" para a Cidade, inclusive com discussões sobre a preservação de parte do verde da região³. A tão falada Avenida de 14 km de extensão nasceu com um enorme canteiro central, motivo que ajudou no aparecimento de críticas de várias pessoas e jornais sobre a "utilidade" da obra.
“A avenida que leva o nada a lugar nenhum”.
Comentário da década de 70.4
Naquele tempo um "deserto" verde começou a dar lugar a construções em concreto armado modernas e o surgimento de bairros em sua volta. Hoje o próprio futuro do crescimento de Salvador é constantemente cravado no entorno da Avenida. Finalmente Salvador seria pensada em linhas metropolitanas. Hoje absurdamente também está sendo pensada no lucro de poucos e com base no vergonhoso PDDU.
Nesses dois vídeos especiais sobre a morte de Antônio Carlos Magalhães – Recortes de cenas do Programa Rede Bahia Revista(Rede Bahia) de 2007, e o início do Programa Balanço Geral (rede Record) 2007. Podemos observar no primeiro vídeo, as obras para construção das Avenidas de Vale (projeto de M. L. Ferreira) na prefeitura de Antônio Carlos Magalhães (1967 – 1971).
No segundo vídeo especificamente teremos as ações do primeiro Governo de ACM (1971 – 1975), aparecendo imagens da construção do Centro Administrativo da Bahia (CAB) na Avenida Paralela, além de outras ações do seu primeiro Governo; que serão abordadas em outra postagem. E no terceiro vídeo uma reportagem sobre a Avenida Paralela atualmente.
A Devastação do verde da Avenida Paralela
Em 2011 quando passei na Paralela, onde hoje temos o atualShopping Paralela, tive uma triste visão. Ao ver a área aos fundos do Shopping lembrei que três anos atrás, quando estive na mesma área para ir a um clube, toda a região estava cercada de verde inclusive com riachos. Hoje a vista das janelas da garagem do Shopping era outra, muito diferente do verde de outrora. Era só terra e máquinas escavando o terreno, e mais nada, assustadoramente mais nada.
Tristemente o atual visual do entorno da Avenida Paralela é caracterizado por inúmeros prédios que parecem flutuar em meio um mar de restos de matas. Gigantes de concreto que estão acabando com toda a vegetação. O “verde” infelizmente só está presente em alguns nomes desses novos empreendimentos residenciais. A hipocrisia parece reinar na Bahia.
Além de ser o atual vetor de crescimento da Cidade, na Avenida Paralela de hoje temos um retrato das grandes metrópoles com todos os serviços disponíveis em torno de seus vários quilômetros. Congestionamentos em um via que era expressa é um grande problema. Mas, como em todas as grandes capitais, em Salvador e sua grande Avenida “paralela”, o que sobrou do verde é simplesmente destruído. Os pobres animais sem ter onde ficar fogem para as zonas residenciais e comerciais. As grandes e pequenas árvores tombam levando toda a vida do local para ser substituída por outra vida, essa a dos humanos em seus confortáveis apartamentos cercados por um verde que diariamente vai sendo cercado pelo concreto até desaparecer. Paralítica e desmatada a Paralela vai se transformando em um caos, ondeHortos, Parcs e Green estão se tornando as últimas referências de verde na região.
Animais das matas na região da Paralela sem ter para onde ir fogem,
ou mesmo são mortos pelas máquinas ou pelos habitantes, quando não são salvos. Imagem: Iracema Chequer/Agência A Tarde
Os congestionamentos vieram com tudo em uma Avenida com crescente fluxo de carros. Imagem: Jornal A Tarde - autor não identificado.
Assim como em sua polêmica e grandiosa construção a atual Avenida Paralela, na verdade seu verde, passa rapidamente para um papel secundário, sendo sombreado pelos altos prédios que um dia poderão tomar conta de todas as lagoas e áreas de uma mata atlântica soteropolitanainfelizmente privada - loteada - para destruição.
Avenida Paralela com o canteiro central. Será usado como linha expressa para os trilhos do Metrô.
Na parte superior o Monumento a Luís Eduardo Magalhães. Imagem: Aratu Oline - sem autor disponível.
Destaque:
O governador do Estado da Bahia Jaques Wagner e o na época prefeito de Salvador João Henrique, anunciaram no dia 8 de agosto de 2011 que a Avenida Paralela terá a “agradável ou não” companhia dos trilhos do Metrô. Possivelmente passando pelo canteiro central que foi tão criticado no início de sua construção, década de 70, e hoje é uma das soluções para “aliviar” os problemas da Avenida Paralela. O anúncio aconteceu em um dos marcos da Avenida Luiz Viana Filho, o Centro Administrativo da Bahia (CAB).
Notas:
¹ O comentário pode também estar relacionado a ideia na época, de levar trilhos para o canteiro central da Avenida Paralela. O que não aconteceu.
² Ver RISÉRIO, Antônio. Uma História da Cidade da Bahia. Editora Versal, Rio de Janeiro 2004. pg 588.
³ Segundo um entrevistado que conheceu os envolvidos no projeto, incluindo o arquiteto e urbanista Lúcio Costa. A ideia inicial seria de preservar a maior parte das áreas verdes que ladeiam a Avenida Paralela. Mas nada de concreto foi firmado na época. Nas décadas seguintes, várias construções começaram a modificar a Avenida. Nos anos 2000 os inúmeros empreendimentos se intensificaram ameaçando ainda mais a região.
4 Muitas pessoas criticaram a construção da Avenida Paralela. Entre outros pontos, pelo fato da região ainda ser, na década de 70, pouco habitada.
***
Referências:
RISÉRIO, Antônio. Uma História da Cidade da Bahia. Editora Versal, Rio de Janeiro 2004. pg 588.
RISÉRIO, Antônio. Retrato de Salvador. Jeito Baiano 25 de Outubro de 2009.